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A história de um nordestino

quarta-feira, 13 de abril de 2011


Se  eu contar a minha historia
Todos vão se admirar,
No dia que eu vim embora
Não marquei dia pra voltar.
Com muitos calos nas mãos
Vaqueiro era a profissão,
Eu vim do sertão para cá.

Trintas anos se passaram
Que do sertão vim embora.
Ainda hoje eu lembro o ano,
Mês,semana,dia e hora...
Era magro igual cassaco.
Botei a rede no saco,
E sai de estrada a fora.

Pouco tinha da sacola
Só o nome sabia assinar.
Na hora que fui saindo,
Mamãe veio me abraçar;
“- Filho seja homem forte,
Deus te defenda da morte
Que a sorte vai te encontrar."

Três dias andando a pé
Para uma condução apanhar.
Quando vinha um pau-de-arara,
Dei com a  mão pra ele parar.
Subi na carroceira,
Foi uma semana e três dias
Para em  Fortaleza eu chegar.

Aqui na cidade grande
Sem ninguém eu conhecer.
A noite com frio e com fome,
Ninguém dá nada à você.
Chorei...lembrei do sertão,
Do pão-de-milho com feijão
Que eu não queria comer.

Quanto mais o tempo passava
Mais eu pensava em voltar.
Tinha saudades dos pais,
Dos irmãos e do lugar.
Sofri igual a um ladrão,
Quando está na prisão
Para se acostumar.

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