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Vaqueiro esquecido

quinta-feira, 14 de abril de 2011



O verdadeiro vaqueiro
Tá esquecido  no sertão.
Nunca mais foi vaquejada,
Nem botou mais o boi no chão.
Apareceram os doutores
Tomando sua profissão.

Hoje a roupa de couro
Está no torno pendurado.
Aquele chocalho bom
Que era de botar no gado,
Amarra se acabou...
Hoje está enferrujado.

A sela está guardada
Com a manta e garupeira,
Não tem gado no curral
Não tem mais pau nas porteiras.
O cavalo parece uma égua,
Solto lá nas capoeiras.

Eu peço as autoridades
Que criem uma lei dura.
Para ajudar o vaqueiro
Que vive grande amargura.
Que faça voltar pra ele,
A verdadeira cultura.

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A mamãe em minha vida


Mamãe te peço desculpas,
Também quero agradecer.
Da senhora ter-me gerado
E do seu ventre eu nascer.
Desculpa por muitas vezes
Eu não te obedecer.

Ó mamãe ainda lembro
A senhora me banhando.
Depois deitando numa rede,
Com carinho me alimentando.
Durante meu crescimento,
A senhora me educando.

Ó mamãe eu gostaria
De estar vivendo ao seu lado.
Mas por força do destino,
A gente vive separado.
Mas saiba que lá no  céu,
Seu lugar tá reservado.

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Sofrimento do menor e do velho abandonado


No ano de oitenta e cinco
Do sertão me retirei.
Chegando em Fortaleza
Diversos casos encontrei.
Vi menor cheirando cola
E mexendo no alheio.

O que se ver nas praças
É de cortar o coração,
Velhinho pedindo esmola
E menor dormindo no chão.
A calçada é sua cama
E o lençol o papelão.

O menor vive sofrendo
Desprezado pelos pais,
O velho é abandonado
Pelos “os seus “ e os demais.
Juntando o sofrimento dos dois,
Não sei quem sofre mais.

O menor vive sofrendo
Desde a hora de nascer.
Jogado em uma calçada,
Sem os seus pais conhecer.
Não tem lar, não tem escola
Pra ele  aprender a ler e escrever.

O velho não toma droga
Mas é grande o seu sofrer.
Desprezado pela família
Sem nunca ter lazer.
Vive na rua pedindo esmola,
Que é para sobreviver

Cadê os nossos políticos
Que não procuram ajudar.
Tirando o menor das ruas,
E para o velhinho dando um lar.
Se ajudarem essa gente...
O Brasil vai melhorar.

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Saudade do sertão matuto


O meu sertão não é mais
Aquele que eu conheci.
Era um sertão matuto,
Foi nele que eu cresci.
Jogando bola na vargem,
Tomando banho de rio.

Quem conhece meu sertão
Falava que não crescia.
Mas hoje tem internet,
Água encanada e energia.
Não troco o sertão matuto
Pelo sertão de hoje em dia.

O meu sertão da viola,
Do cabra improvisador.
Sertão das grandes fazendas,
Do vaqueiro aboiador.
Do contador de estórias
E do velho curador.

Meu sertão do pão de milho,
Da farinha de fubá
E do leite da coalhada,
Ah! que“grandes saudades” me dá.
Meu deus me diga quando,
Tudo isto vai voltar.

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A história de um nordestino

quarta-feira, 13 de abril de 2011


Se  eu contar a minha historia
Todos vão se admirar,
No dia que eu vim embora
Não marquei dia pra voltar.
Com muitos calos nas mãos
Vaqueiro era a profissão,
Eu vim do sertão para cá.

Trintas anos se passaram
Que do sertão vim embora.
Ainda hoje eu lembro o ano,
Mês,semana,dia e hora...
Era magro igual cassaco.
Botei a rede no saco,
E sai de estrada a fora.

Pouco tinha da sacola
Só o nome sabia assinar.
Na hora que fui saindo,
Mamãe veio me abraçar;
“- Filho seja homem forte,
Deus te defenda da morte
Que a sorte vai te encontrar."

Três dias andando a pé
Para uma condução apanhar.
Quando vinha um pau-de-arara,
Dei com a  mão pra ele parar.
Subi na carroceira,
Foi uma semana e três dias
Para em  Fortaleza eu chegar.

Aqui na cidade grande
Sem ninguém eu conhecer.
A noite com frio e com fome,
Ninguém dá nada à você.
Chorei...lembrei do sertão,
Do pão-de-milho com feijão
Que eu não queria comer.

Quanto mais o tempo passava
Mais eu pensava em voltar.
Tinha saudades dos pais,
Dos irmãos e do lugar.
Sofri igual a um ladrão,
Quando está na prisão
Para se acostumar.

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