Homenagem ao vaqueiro
segunda-feira, 23 de maio de 2011
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Fazenda São Caetano
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Fazenda caetano
Quando eu conheci ela
Havia muita fartura.
Banha de porco na gamela
Na frente tinha duas portas
No lado quatro janelas.
Cinquenta vacas paridas
Dando leite no curral
Carne de gado salgada
Estendida em um pau
Era a coisa mais difícil
Uma rés morrer de um mal.
Tirava leite de manhã
Botava pra cozinhar
E começava a chegar gente
Pra um bocado vir buscar.
Na hora de juntar o gado
Ninguém vinha me ajudar.
Tinha três vaqueiros no campo
E quatro pares de peneiras.
Tinha mais de trinta homens
Pra roçar a capoeira
Três,quatro cavalos gordos
Comendo milho na cocheira.
Tinha cavalo de corrida
Tinha cavalo estradeiro
Tinha cavalo do patrão
Da patroa e do vaqueiro
Estes eram os animais
Que nunca saiam do zelo.
Dono ia no chiqueiro
Não era por desaforo
Vexado pegava um carneiro
Ligeiro tirava o couro.
Duas mulheres na cozinha
Preparam o tira-gosto.
Tinha pista de vaquejada
Tinha cavalo ligeiro
Quando era no fim de semana
Aparecia um sanfoneiro.
Tocava três ,quatro dias
E não exigia dinheiro.
Tinha o café da manhã
Que eu chamava era almoçar
Era pão de milho com leite,
Panela de mungunzá,
Queijo cortado na mesa...
Comia até deixar.
Cabra enchia a barriga
Ia pra roça trabalhar
Mas ele não fazia nada
Leva o tempo à “ enguiar”
Quando eram onze horas
Voltava pra almoçar.
Já falei da animação
Que tinha nessa fazenda
Quero pedir aos senhores
Que todos me entendam;
Quando chegava uma pessoa
Essa não saía sem merenda.
A casa fica no alto,
De lado tem um curral
Também tem uma cozinha
E uma saída para o quintal.
Tem uma sala e uma área
Que era de pular carnaval.
Ao lado tem três quartos
Um tem separação,
Um era de botar milho
Outro botar algodão.
Outro tinha uns tambores
Que era de botar feijão.
Agora me lembrei
Do caixão cheio de farinha
Eu me lembrei do quarto
De frente para a camarinha
E a senhora sem calça
Dormindo lá na salinha.
A fazenda caetano
Reina paz e amor,
Mas por conta do destino
Muita coisa acabou.
Venderam os bois do arado
E o burro do cultivador.
Lembranças das vacas leiteiras
Lembro da vaca graúna
Lembro da vaca diamantina
Lembro da vaca amazonas
Lembro da vaca neblina
Lembro da vaca cigarra
E da vaca catarina.
Eu lembro da igrejinha
Que eu ia com meus irmãos
Aprendendo catecismo
Pra primeira comunhão
Na época não tinha banco
Todo sentavam no chão.
Eu me lembro do caminho
Que eu ia pra escola
Montado em jumento
Eu gravei bem na memória
O campo que a tarde
Corria atrás da bola.
Eu lembro da minha mãe
Que levantava cedinho
Para a luta diária
Antes cuidava de mim
Me dava muitos conselhos
Pra eu não ser cabra ruim.
Quero agradecer minha mãe
Que trabalhou para me educar
Quero lhe pedir desculpas
As vezes que lhe fiz chorar
Não se preocupe mamãe
Que eu não vou lhe abandonar.
Papai foi mais carrasco
Sua palavra era uma só
Trabalhou para me criar
Derramou muito suor
Eu agradeço à meu pai
Que me ensinou à me virar só.
Sofrimento de um vaqueiro
Quero avisar ao vaqueiro que exerce a profissão
Que façam uma economia, vá guardando algum tostão.
Quando a velhice chegar , comprar uma casa pra morar
Para não depender do patrão.
Conheci um velho vaqueiro que não pode mais campear
Com a vista ficando curta, pouco pode enxergar.
Com dor no corpo ele chora, o patrão mandou embora
Sua fazenda deixar.
O patrão diz ao vaqueiro que não pode sustentar
Vagabundo em sua fazenda que não quer mais trabalhar,
Pede para dar o fora “ó por favor pode ir embora!”
“Arranje um canto pra ficar”.
Vaqueiro pede ao patrão para não lhe despensar,
Que não tem pra onde ir nem tem canto pra morar.
Lhe dê almoço e merenda deixe na sua fazenda
Só pra recado ele ir dar.
O patrão diz ao vaqueiro que não pode sustentar,
Vagabundo em sua fazenda que não quer mais trabalhar.
Pede para dar o fora “ó por favor pode ir embora!”
“Arranje um canto pra ficar”.
O vaqueiro deixa a fazenda aonde foi sua morada,
Ele pega uma vereda igual uma rés desgarrada.
Sai a pé e sem dinheiro, vai lá pro pé do lajeiro
Aonde o gado faz maiada.
Outro dia eu campinando passei naquele lugar,
Procurando uma rés braba que era difícil encontrar.
Avistei uma ossada lembrei que de madrugada
Sua alma foi me visitar.
Chegou e falou assim; ” - não tenha medo companheiro
Que eu fiz parte da cultura do sertão brasileiro.
Diga se eu não tenho razão, fale o nome de um patrão
Pra dar valor ao vaqueiro.
Vaqueiro esquecido
quinta-feira, 14 de abril de 2011
O verdadeiro vaqueiro
Tá esquecido no sertão.
Nunca mais foi vaquejada,
Nem botou mais o boi no chão.
Apareceram os doutores
Tomando sua profissão.
Hoje a roupa de couro
Está no torno pendurado.
Aquele chocalho bom
Que era de botar no gado,
Amarra se acabou...
Hoje está enferrujado.
A sela está guardada
Com a manta e garupeira,
Não tem gado no curral
Não tem mais pau nas porteiras.
O cavalo parece uma égua,
Solto lá nas capoeiras.
Eu peço as autoridades
Que criem uma lei dura.
Para ajudar o vaqueiro
Que vive grande amargura.
Que faça voltar pra ele,
A verdadeira cultura.
A mamãe em minha vida
Mamãe te peço desculpas,
Também quero agradecer.
Da senhora ter-me gerado
E do seu ventre eu nascer.
Desculpa por muitas vezes
Eu não te obedecer.
Ó mamãe ainda lembro
A senhora me banhando.
Depois deitando numa rede,
Com carinho me alimentando.
Durante meu crescimento,
A senhora me educando.
Ó mamãe eu gostaria
De estar vivendo ao seu lado.
Mas por força do destino,
A gente vive separado.
Mas saiba que lá no céu,
Seu lugar tá reservado.
Sofrimento do menor e do velho abandonado
No ano de oitenta e cinco
Do sertão me retirei.
Chegando em Fortaleza
Diversos casos encontrei.
Vi menor cheirando cola
E mexendo no alheio.
O que se ver nas praças
É de cortar o coração,
Velhinho pedindo esmola
E menor dormindo no chão.
A calçada é sua cama
E o lençol o papelão.
O menor vive sofrendo
Desprezado pelos pais,
O velho é abandonado
Pelos “os seus “ e os demais.
Juntando o sofrimento dos dois,
Não sei quem sofre mais.
O menor vive sofrendo
Desde a hora de nascer.
Jogado em uma calçada,
Sem os seus pais conhecer.
Não tem lar, não tem escola
Pra ele aprender a ler e escrever.
O velho não toma droga
Mas é grande o seu sofrer.
Desprezado pela família
Sem nunca ter lazer.
Vive na rua pedindo esmola,
Que é para sobreviver
Cadê os nossos políticos
Que não procuram ajudar.
Tirando o menor das ruas,
E para o velhinho dando um lar.
Se ajudarem essa gente...
O Brasil vai melhorar.
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